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A Especialista

A jornalista Lucia Hippolito é especialista em tudo. Dizem que é formada em História e em Ciências Políticas. Mas o que Lucia entende mesmo é de energia. Alvoroçada para dar logo uma explicação para o “apagão” de ontem, a “enciclopédica” Lucia foi logo colocando a culpa no Governo e nas classes baixas que, segundo ela, com a isenção de IPI para a “Linha Branca” estaria comprando mais equipamentos eletrodomésticos e sobrecarregando o sistema. Veja o comentário que um navegante deixou no Blog do Nassif:

Por Luciano Prado

O pior se deu ontem à noite quando a jornalista Lucia Hippolito entrou ao vivo pela CBN/Globo, direto de sua residência para informar ao público ouvinte que o problema do blackout ocorrera porque o presidente Lula autorizara a isenção de impostos da linha branca fazendo com que muitos aparelhos (novos) em funcionamento sobrecarregassem o sistema.

A especialista também alertou para a grave dependência brasileira aos combustíveis fósseis, havendo necessidade de substituição dessa matriz energética.

Já imaginaram, substituir aquele rio de petróleo que move as turbinas de Itaipu por água?

É informação jornalística, de primeira, na veia. Direto da CBN/Globo, a rádio de “troca” notícia.”

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Falsos dossiês

Um dos golpes mais baixos do atual jornalismo brasileiro é a publicação de matérias com “dossiê”, “documento”, “grampo” ou qualque outra “prova” cuja validade não pode ser comprovada. É verdade que existe o “sigilo da fonte”, pois é preciso preservar os nomes de algumas pessoas, quando o assunto é delicado.

Mas o fato é que em nome desse “sigilo”, o repórter não se dá ao trabalho de investigar a informação que recebe. Se na mão dele cai um “dossiê”, ele vai logo publicando sem se perguntar se o material é legal ou ilegal, sem tentar saber que outras provas mais podem ser usadas para comprovar aquilo que o dossiê está “denunciando”, e sem dar ao leitor as outras informações necessárias ao contexto do que se está publicando.

Esse terreno é fértil para que o jornalista seja um franco atirador – isto é – publique o que lhe der na telha, nem que seja uma mentirinha, uma distorçãozinha, para atacar a reputação de seus desafetos, os únicos bois que têm nome nessa história toda. Afinal, criar uma prova sem que para isso seja necessário apresentar elementos que a sustentem é a coisa mais fácil do mundo. E o pior: aqui no Brasil não há instrumento forte o bastante para inibir a publicação dessas mentiras deslavadas, apelidadas de “dossiês”. Está na hora de perguntarmos qual é a liberdade de imprensa que queremos, até aonde vai o direito de sigilo da fonte, qual é o equilíbrio que queremos de nossa imprensa. Do jeito que as matérias estão sendo produzidas, o jornalismo está se tornando palco para crimes e criminosos.

Fica aqui um apelo para que todos possam cobrar instrumentos de controle de qualidade dentro do jornalismo. E que a cobrança por qualidade não seja taxada de “censura”. Quer publicar dossiê? Publica. Mas vai ter que responder criminalmente se o material se comprovar falso.

Em tempo: no Brasil existem leis que punem injúria, difamação, calúnia e entre outros crimes dessa natureza. Mas são leis frágeis, de aplicação demorada, e ainda assim não cobrem as práticas cada vez mais comuns na imprensa.

Vejam a seguir mais uma denúncia do jornalista Luis Nassif.

Mais um dossiê falso
Luis Nassif
A lógica é a mesma que descrevo na série de Veja (clique aqui), especialmente no capítulo “O Lobista de Dantas”.
Primeiro, o lobista passa o dossiê para Diogo Mainardi.

Ele escreve, Veja garante o espaço. Não é uma ou duas vezes, é mais que isso, é sistemático.
Continue a leitura: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/09/24/mais-um-dossie-falso/

Acertamos porém erramos

Segue um artigo do jornalista Luis Nassif que é interessante em dois aspectos: primeiro, ele aponta um erro até comum no jornalismo: a manchete não reflete o que a apuração da matéria dá a entender. Segundo, vale notar como a imprensa reage quando um erro lhe é educadamente apontado.

Em tempo: se a repórter se dispusesse a assumir o equívoco, este blog nem publicaria essa nota. Afinal, erros acontecem com qualquer pessoa e em qualquer profissão – alguns com conseqüências mais sérias, outros nem tanto… Esse blog quer abordar as mentiras, inconsistências e falhas intencionais da imprensa e que não são devidamente assumidas por seus autores.

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Acertamos porém erramosUm Painel do Leitor curioso da Folha.
Luís Nassif
Dias atrás o jornal publicou matéria dizendo que os bancos públicos reduziram os juros mas aumentaram as tarifas. Aqui mesmo leitores questionaram com base nos dados da própria reportagem. O jornal dizia que o crescimento do faturamento com tarifas nos públicos tinha sido maior do que nos privados; mas uma tabela comparativa demonstrava que o valor da tarifa continuava menor dos bancos públicos. Logo, o aumento da receita com tarifas não decorria do aumento das tarifas. Como explicar essa discrepância?

Ai o Banco do Brasil manda uma carta apontando o erro. Diz que manteve intocados os valores das tarifas e que a matéria esqueceu de levar em conta a incorporação da Nossa Caixa no balanço do banco. Sem considerar a incorporação, o crescimento da receita com serviços teria sido de 13,93% (compatível com os demais bancos) e não de 27,23%, conforme a matéria informou. Disse também que aumentou o volume de crédito e de clientes – o que se reflete do valor absoluto arrecadado com tarifas, sem que signifique aumento delas.

O jornal rebate, dizendo que que a matéria não desconsiderou a incorporação da Nossa Caixa, que apresentou os dados consolidados. Mas é justamente aí que reside o erro. Comparou BB + Nossa Caixa com BB apenas. Com isso inflou o resultado e garantiu a manchete.

O curioso é que a explicação é dada em um tom que ao leigo fica parecendo que se está rebatendo o argumento do BB. Se não foi cometido nenhum erro apontado, por que razão a disparidade de números? Ou seja, ERRAMOS e não admitimos.

Do Painel do Leitor da Folha
Banco do Brasil
Com referência à reportagem “Banco público compensa juro baixo com tarifa alta” (Dinheiro, 13/9), esclarecemos que a matéria não considerou que os números do balanço do Banco do Brasil do 1º semestre de 2009 já refletiam a consolidação contábil do banco Nossa Caixa, o que propiciou a incorporação ao resultado de rendas de tarifas bancárias de mais de R$ 162 milhões (48,2% do incremento observado no comparativo de 12 meses).

Os pacotes de serviços, que representam 66% das rendas de tarifas do BB, não sofreram qualquer tipo de reajuste desde a entrada em vigor da resolução CMN 3.518, de 30/4/08. Todos os pacotes, sem exceção, permanecem com o mesmo preço praticado em maio de 2008.

Diferentemente do que consta na matéria, o aumento das rendas de tarifas bancárias no BB não foi de 27,23%, e sim de 13,93%, compatível com o verificado na concorrência. Esse comportamento, registrado no período de junho/2008 a junho/2009, decorre do crescimento de três fatores: da base de clientes, do volume de operações de crédito e das demais transações bancárias.

No que se refere ao crédito, o BB ampliou sua participação de mercado de 16,9% para 18,7%, com expansão superior a 32% em 12 meses. Outro fator é o crescimento da base de clientes do BB de junho/08 a junho/09, quando foram incorporados 2,7 milhões de novos clientes (expansão de 9,38%). Considerando todas as receitas de prestação de serviço do BB, o crescimento verificado no primeiro semestre de 2009 em comparação com o mesmo período de 2008 foi de 9,6%. Sem as receitas da Nossa Caixa, esse desempenho ficou em 4,5%.

O resultado financeiro do BB no primeiro semestre de 2009 decorre fundamentalmente da estratégia bem-sucedida de ampliação das operações de crédito e do aumento das receitas proveniente do crescimento e da fidelização da base de clientes, o que potencializou a geração de novos negócios, como a expansão da base de cartões e faturamento, seguridade e previdência.”

CARLOS ALBERTO BARRETTO DE CARVALHO , assessor de imprensa do Banco do Brasil (Brasília, DF)

Resposta da repórter Sheila D’Amorim – A Folha não desconsiderou a Nossa Caixa. Os dados do balanço do BB estão consolidados com os do antigo banco paulista. Os números da Nossa Caixa constam no aumento da base de clientes assim como nas receitas geradas do BB, da mesma forma que, na comparação com a concorrência, foram consideradas as fusões Itaú/Unibanco e Santander/Real. A Folha não tratou da receita com prestação de serviços, mas das tarifas classificadas como prioritárias pelo Banco Central -aquelas que incidem sobre serviços básicos a pessoas físicas e jurídicas. Os argumentos do banco, quanto ao reforço da base de clientes e da fidelização, foram contemplados no texto.

Leia o artigo original no site: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/09/15/acertamos-porem-erramos/#more-33297