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Alexandre Garcia e a ilegalidade em Cuba

Difícil enquadrar o comentário do comentarista Alexandre Garcia, hoje, no Bom Dia (sic) Brasil.

Segundo a notória figura, falando sobre Lan Houses – e demonstrando total ignorância, como lhe é típico -, a internet, seu uso, incentiva a prática de crimes, como a pedofilia, roubo de senhas e etc.

Exato, usar um computador é o mesmo que incentivar o crime. Não é de surpreender que, após uma reportagem sobre a tentativa de se facilitar o processo de legalização e disseminação das Lan Houses, a Globo use seu cão de guarda para atacar a idéia. Ataca porque a popularização do acesso e a transformação destas casas em centros de educação, ensino e disseminação de informações – mais do que apenas um ponto para conexão e jogos -, como propõe o Deputado Paulo Teixeira (PT-SP), iria propiciar à população o acesso à informações que a Rede Globo não propicia, na verdade, esconde.

A Globo não quer que o pobre tenha acesso livre, irrestrito e tenha acesso à informação. Isto iria implodir sua credibilidade (sic). Hoje, a franca maioria das Lah Houses são ilegais, principalmente graças às exigências risíveis de estados e prefeituras. Claro que, todos sabemos, muitas das exigências impostas por uma elite política temerosa do poder que a rede dá aos seus usuários que sabem usá-la.

Mas a coisa ainda piora. O mesmo piadista não poderia terminar de falar sem uma declaração ainda mais infeliz, segundo Alexandre Garcia, só há vantagem em Lan House ilegal em Cuba!

Sim, segundo o infeliz, só nesses lugares os Cubanos podem ter liberdade e acesso livre à rede!

Como uma figura destas pode falar o que bem entende na TV? Defender a ilegalidade no país dos outros pode? Dar declarações estapafúrdias e criminosas pode?

Alexandre Garcia é um criminoso.

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Requentando o factóide

Ficamos até com vergonha de retomar o assunto. Mas, parece que o eixo Folha-Veja-Globo insiste em requentar um factóide que já foi desmontado e que nós já tratamos aqui. Perece que o eixo não compartilha de nossa vergonha. Vergonha de ver jornalistas fazendo esse papel em nome das vontades de um chefe que já perdeu o rumo faz tempo. Chefe que parece apostar – como o chefe de propaganda de um dos regimes de um Eixo passado – que uma mentira contada várias vezes passaria a ser verdade. Engana-se: não neste tempo. O factóide requentado e azedo foi rapidamente desmantelado, mais um vez.

Fiquem com a excelente análise do Azenha sobre o assunto.

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por Luiz Carlos Azenha

A partidarização da mídia brasileira vai além do desapego à verdade factual. Temos jornalistas que, em nome de contemplar “os dois lados”, simplesmente se deixam usar para fazer propaganda política.

O caso envolvendo Lina Vieira é apenas a demonstração mais recente disso. A ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, usou uma entrevista à Folha de S. Paulo para propagar a versão de um encontro com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O ônus da prova cabia a ela, Lina. Ao depor no Congresso, Lina Vieira não forneceu provas factuais ou testemunhais sobre o que disse na entrevista.

Ou seja, a mídia transformou um factóide em um fato. Fez isso em nome dos partidos de oposição, numa clara estratégia para avançar os interesses partidários.

O factóide ganhou novo fôlego com o surgimento repentino da agenda de Lina Vieira. O encontro, segundo anotação na agenda, teria sido no dia 9 de outubro de 2008 (essa é, pelo menos, a versão da revista Veja). Não é a data anunciada anteriormente por Lina Vieira a senadores da oposição.

Quem é que fez a acusação sem apresentar provas, que se “esqueceu” da agenda e que aparentemente mudou de versão? Lina Vieira. A mídia, no entanto, continua assumindo como verdadeiras as declarações dela. Continua fazendo claramente o jogo dos partidos de oposição.

O fato é que não há novidade no encontro entre Dilma e Lina no dia 9 de outubro. O encontro, um de muitos entre as duas, havia sido admitido anteriormente no depoimento oficial de Lina ao Congresso.

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A Veja, sempre ela

Se a Istoé preza pela auto-ajuda e omissão de assuntos relevantes, a Veja não deixa absolutamente nada passar, é a vedete da direita e caminha para se tornar uma Mídia Sem Máscara do B.

O artigo abaixo do Observatório da Imprensa é ilustrativo e certeiro.

Para a Veja, Chavez é o Demônio, ao tempo em que o Capital é divino. Movimentos Sociais existem para serem esmagados e para tumultuar enquanto a Classe Mérdia em marcha é algo lindo de se ver, os nobres repórteres (sic) se lembram com saudades e lágrimas nos olhos da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”.

Enfim, a Veja reúne o que há de mais fino do fascismo tupiniquim. Vomitar [não] é opcional.

Duas páginas de fantasmas

Por Diego B. Cruz em 6/10/2009

Que a revista Veja seja o semanário representante da direita mais tosca não é novidade para ninguém. Surpreende, porém, o nível cada vez mais baixo que a publicação vem atingindo no último período.

A revista, por exemplo, vocifera contra a atualização dos índices de produtividade exigida pelo MST, mesmo que a medida possa atingir uma extrema minoria dos latifundiários. O MST, aliás, que a publicação adora demonizar. Em relação ao golpe de Honduras, Veja não se envergonha em se colocar ao lado dos golpistas que depuseram Manuel Zelaya, isolando-se até mesmo entre os seus pares ideológicos. Veja se coloca ao lado de representantes folclóricos, como Olavo de Carvalho e seu colunista preferido, Diogo Mainardi.

Na edição nº 2132, a revista dedica sua capa a atacar a “intervenção” do Brasil no que seriam “assuntos internos” de Honduras. Critica o “subimperialismo” do governo brasileiro e chega ao cúmulo de comparar o caso com a invasão militar na República Dominicana em 1965, quando a ditadura enviou tropas ao país caribenho a fim de auxiliar um golpe orquestrado pelos EUA. Curiosamente, a revista não demonstra a mesma curiosidade histórica quando o mesmo governo Lula enviou tropas ao Haiti cinco anos atrás, quando, aí sim, a comparação faria sentido.

Uma frase absurda que não foi dita

Mas uma outra matéria chama atenção na mesma edição. Lá pelas tantas, um texto de duas páginas tasca o título “O socialismo não morreu (para eles)”, cuja tentativa parece a de soar irônico. A matéria traz como ilustração uma montagem com representantes de vários partidos de esquerda, vestidos de médicos, ao redor de um Karl Marx deitado numa cama de hospital. E o tom da “matéria” não poderia ser outro. O jornalista Fábio Portela tenta desqualificar e ironizar os partidos de esquerda – e para isso vale tudo.

Primeiro, o repórter coloca no mesmo balaio partidos tão diferentes como o PCdoB, PSOL, PSTU, PCB e PCO. Mas para Veja não importa, nem mesmo que um deles componha a base do governo. A matéria tenta impingir uma certa visão fatalista à esquerda. “Apesar de animados, os nossos marxistas não pretendem se esforçar para acelerar a Grande Revolução Vermelha (sic). Acham que basta sentar e esperar, visto que a marcha da história se encarrega de fazer o trabalho pesado”, escreve, mostrando pouco conhecimento do que foi produzido pelo marxismo sobre o funcionamento capitalista, seus limites e até mesmo as mudanças que o sistema tem adotado para poder sobreviver às suas contradições fundamentais e manter a taxa de lucro das empresas.

O texto mostra o que Veja entende por jornalismo. A revista recheia a matéria com falas de supostos entrevistados, frases tão desconexas quanto inverossímeis. É desta forma que o presidente do PSTU, José Maria de Almeida, por exemplo, aparece dizendo: “Ela (a revolução) está chegando, e nós estamos preparados”. Uma frase, evidentemente, absurda. E que não foi dita.

Um respeitoso e comportado repórter

Veja transforma longas entrevistas em frases esparsas, desconexas e sem o menor sentido. Na verdade, as entrevistas e telefonemas não servem para que os partidos expressem seus pontos de vista, o que se poderia imaginar de um jornalismo inteligente ou simplesmente comprometido com o debate de idéias. Não é este o caso. As “entrevistas” servem tão somente para emoldurar as idéias iniciais encomendadas pela revista: os partidos de esquerda são nanicos, a esquerda é lunática, o socialismo morreu. Ataques que fazem parte da pauta permanente da revista, assim como matérias sobre o “primeiro beijo” são publicadas pelas revistas adolescentes a cada seis meses.

O jornalista Perseu Abramo costumava dizer que a imprensa se comportava como um partido político. E Veja comprova claramente isso. Como qualquer partido, tem lá os seus quadros. O jornalista Fábio Portela, um dos editores da revista, por exemplo, é escalado para escrever sobre Hugo Chávez, Venezuela e demais pautas tão caras à direita folclórica. Seus textos, em geral, são recheados de ironias e chegam ao deboche, como quando chama Ivan Pinheiro, do PCB, de “Ivan, o Terrível”.

A não ser quando decide variar um pouco de pauta, talvez para espairecer, e se põe a escrever sobre o tucano presidenciável Aécio Neves, como na primeira edição de agosto último. O sempre irônico e espirituoso editor dá lugar, subitamente, a um respeitoso e comportado repórter. A matéria sobre as gratificações de desempenho a servidores implementadas pelo tucano é recheada de expressões como “espírito público”, “meritocracia”, “resultados expressivos”, entre outras. Sem o menor pingo de ironia.

Escancarando o caráter

A imprensa de esquerda, em geral, é criticada e tachada de “panfleto”. Isso porque tem opinião, se coloca claramente em defesa de uma posição e expressa isso sem máscaras de objetividade. O panfleto tem sua função na vida política e tampouco não pode ser desqualificado. Mas a diferença entre um panfleto e um jornal é que, enquanto o panfleto lança algumas poucas ideias a fim de persuadir, o jornal ou uma revista traz informação, parte da apuração dos fatos, análise e dados, ainda que não possa ser imparcial.

Veja, por esse critério, é mais um panfleto que uma revista. E, certamente, não tem nada a ver com jornalismo.

Voltando à “matéria” sobre os partidos de esquerda, uma questão se sobressai. Se “os esquerdistas radicais formam um grupo tão curioso quanto inofensivo”, como diz o texto, por que o panfleto travestido de revista com a maior tiragem do país gastaria duas de suas tão valiosas páginas com o tema?

O espaço destinado à “reportagem” – duas páginas – é o mesmo ocupado pela publicidade de empresas como Ambev, Itaú, Credicard e Santander. Em seu site, na parte destinada aos anunciantes, Veja divulga que a veiculação de um anúncio de uma página custa R$ 216 mil. Caso o anunciante queira escolher a página, este valor sobe para R$ 280 mil. Não há valores para páginas duplas, logo presume-se que seja a soma de duas páginas.

Assim, duas páginas na Veja custariam algo entre R$ 432 mil e R$ 560 mil. Ou seja, não é algo muito barato – cerca de meio milhão de reais – para que alguém possa se dar o luxo de publicar algo sem relevância. O que preocupa tanto a revista? Seria a volta do debate sobre o marxismo, trazido pela crise econômica mundial? Ou o fato de o socialismo, à luz dessa crise e ao contrário de alguns anos atrás, voltar a ser pensado e debatido como algo possível?

A pouco mais de um mês do décimo aniversário da queda do muro de Berlim, a revista precisará de muito mais do que ataques infantis como esse para defender sua tese de que o socialismo morreu e de que o outro muro, o de Wall Street, permanece sólido após a maior crise do capitalismo desde 1929.

De qualquer forma, Veja se desmoraliza cada vez mais, escancarando seu verdadeiro caráter. Mostra, a cada dia, o quanto não é indispensável.

Lobista, o rótulo que cala a divergência

A revista semanal “Isto é” cometeu uma “reportagem” na edição 2076 (26 de agosto de 2009), no mínimo inconsistente. O título da matéria em questão é “O Lobista de Chaves“. A frase que acompanha o título é: “Jornalista brasileiro trabalha no Senado, mas faz hora extra para defender interesses da Venezuela”

Até aqui o leitor já se prepara para ver, no mínimo, a notícia de um “lobista”, funcionário do Senado, que estaria recebendo hora extra para trabalhar para o presidente da Venezuela Hugo Chaves. O fato do funcionário estar fazendo hora extra no Senado, usando equipamento público pra defender interesses da Venezuela poderia até caracterizar o crime de prevaricação. A matéria não chegou a fazer explicitamente essa acusação, mas essa era uma leitura possível.

No entanto, ao ler a matéria na íntegra, não há uma só prova de que o tal funcionário estivesse realizando trabalhos para Hugo Chaves dentro do nosso Senado. Pelo contrário: há apenas a fala do próprio funcionário, explicando que executa suas atividades de forma voluntária e sem vínculo empregatício. Há também o depoimento do deputado do PSDB Álvaro Dias pedindo para averiguar “se as atividades paralelas dele com o governo Chávez são compatíveis com os horários de trabalho no Senado”. Ou seja, de concreto, nada pesava contra o funcionário.

Quer dizer, a reportagem chamou um funcionário do senado de “lobista” e ainda colocou em dúvida a idoneidade de seu trabalho no Senado sem apresentar NENHUMA prova que sustente seu título e sua chamada. Está aí a inconsistência. Mas a matéria não peca só pela inconsistência, que já é, por sinal, motivo suficiente para não ter sido publicada.

Lobista, esse rótulo
De acordo com o dicionário Houaiss, lobista é o indivíduo que faz lobby, que por sua vez é a atividade de pressão de um grupo organizado (de interesse, de propaganda etc.) sobre políticos e poderes públicos, que visa exercer sobre estes qualquer influência ao seu alcance, mas sem buscar o controle formal do governo.

Apesar da definição amena do dicionário, sabemos que no Brasil essa palavra tem uma conotação extremamente negativa. Aqui, o lobista é a pessoa que recebe dinheiro ou favorecimento para intermediar interesses escusos de algum grupo – ou seja, praticamente um corrupto. Quando os interesses defendidos contam com certa simpatia do senso comum (luta contra o câncer, por exemplo), emprega-se a expressão “lobby do bem”, justamente para reforçar essa diferença.

Por tudo isso, fica claro que a intenção da reportagem é única e simplesmente, rotular o funcionário do Senado de lobista pelo fato de ele ter uma militância politica fora de seu ambiente de trabalho. E se uma revista de grande circulação constrói perante o público a idéia de que funcionários públicos não podem ter opinião política, aí nós temos não só um problema de inconsistência jornalística, mas um golpe contra a cidadania e o direito de livre manifestação garantido pela Constituição de 88. É uma tentativa de calar a divergência política, é a imposição de uma visão de mundo.

E como fica o funcionário!?
O funcionário do Senado, Carlos Alberto Almeida, conhecido como Beto Almeida, publicou uma carta endereçada a “Isto é” exigindo um direito de resposta. Clique aqui para ler o documento.

E qual o interesse da “Isto é” em prejudicar o funcionário do senado?
São muitos os interesses. Já abordaram o tema Maria Frô; Altamiro Borges e o Rovai.