Arquivo do autor:Antonio Arles

A Especialista

A jornalista Lucia Hippolito é especialista em tudo. Dizem que é formada em História e em Ciências Políticas. Mas o que Lucia entende mesmo é de energia. Alvoroçada para dar logo uma explicação para o “apagão” de ontem, a “enciclopédica” Lucia foi logo colocando a culpa no Governo e nas classes baixas que, segundo ela, com a isenção de IPI para a “Linha Branca” estaria comprando mais equipamentos eletrodomésticos e sobrecarregando o sistema. Veja o comentário que um navegante deixou no Blog do Nassif:

Por Luciano Prado

O pior se deu ontem à noite quando a jornalista Lucia Hippolito entrou ao vivo pela CBN/Globo, direto de sua residência para informar ao público ouvinte que o problema do blackout ocorrera porque o presidente Lula autorizara a isenção de impostos da linha branca fazendo com que muitos aparelhos (novos) em funcionamento sobrecarregassem o sistema.

A especialista também alertou para a grave dependência brasileira aos combustíveis fósseis, havendo necessidade de substituição dessa matriz energética.

Já imaginaram, substituir aquele rio de petróleo que move as turbinas de Itaipu por água?

É informação jornalística, de primeira, na veia. Direto da CBN/Globo, a rádio de “troca” notícia.”

Anúncios

Requentando o factóide

Ficamos até com vergonha de retomar o assunto. Mas, parece que o eixo Folha-Veja-Globo insiste em requentar um factóide que já foi desmontado e que nós já tratamos aqui. Perece que o eixo não compartilha de nossa vergonha. Vergonha de ver jornalistas fazendo esse papel em nome das vontades de um chefe que já perdeu o rumo faz tempo. Chefe que parece apostar – como o chefe de propaganda de um dos regimes de um Eixo passado – que uma mentira contada várias vezes passaria a ser verdade. Engana-se: não neste tempo. O factóide requentado e azedo foi rapidamente desmantelado, mais um vez.

Fiquem com a excelente análise do Azenha sobre o assunto.

***

por Luiz Carlos Azenha

A partidarização da mídia brasileira vai além do desapego à verdade factual. Temos jornalistas que, em nome de contemplar “os dois lados”, simplesmente se deixam usar para fazer propaganda política.

O caso envolvendo Lina Vieira é apenas a demonstração mais recente disso. A ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, usou uma entrevista à Folha de S. Paulo para propagar a versão de um encontro com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O ônus da prova cabia a ela, Lina. Ao depor no Congresso, Lina Vieira não forneceu provas factuais ou testemunhais sobre o que disse na entrevista.

Ou seja, a mídia transformou um factóide em um fato. Fez isso em nome dos partidos de oposição, numa clara estratégia para avançar os interesses partidários.

O factóide ganhou novo fôlego com o surgimento repentino da agenda de Lina Vieira. O encontro, segundo anotação na agenda, teria sido no dia 9 de outubro de 2008 (essa é, pelo menos, a versão da revista Veja). Não é a data anunciada anteriormente por Lina Vieira a senadores da oposição.

Quem é que fez a acusação sem apresentar provas, que se “esqueceu” da agenda e que aparentemente mudou de versão? Lina Vieira. A mídia, no entanto, continua assumindo como verdadeiras as declarações dela. Continua fazendo claramente o jogo dos partidos de oposição.

O fato é que não há novidade no encontro entre Dilma e Lina no dia 9 de outubro. O encontro, um de muitos entre as duas, havia sido admitido anteriormente no depoimento oficial de Lina ao Congresso.

Continue lendo no Vi o Mundo

A Gripe da Folha

Como diz a Jornalista Conceição Lemes: “Fazer política sobre saúde pode matar”. No entanto, foi isso que o jornal Folha de São Paulo fez na sua edição do dia 19 de Julho de 2009. A chamada de capa para a reportagem neste episódio foi: “Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses”. Considerando que a maioria das pessoas só têm acesso às capas de jornais que ficam expostas nas bancas – uma vez que a tiragem dos jornais impressos cai a cada dia – esta manchete tem potencial alarmista.

gripefolha

Mesmo alertado por uma das fontes citadas na matéria, o “capista” responsável pela manchete decidiu ignorar que o modelo matemático aplicado não serviria para o vírus H1N1, já que foi feito com base em dados de pandemias anteriores, e colocou na chamada “deve” no lugar de “pode” (ainda que esta palavra também não corresponda totalmente aos fatos).

Clique no link e tenha acesso à entrevista concedida pelo epidemiologista Dr. Eduardo Carmo Hage (fonte citada pela reportagem) à Jornalista Conceição Lemes no Vi o Mundo: http://www.viomundo.com.br/denuncias/reportagem-da-folha-sobre-gripe-suina-e-totalmente-furada-uma-irresponsabilidade/

Continuação (inserido no dia 21/09/09)

Folha e gripe suína: é o segundo crime contra a saúde pública em 19 meses

por Conceição Lemes, no Vi o Mundo

Em 22 de julho, o Viomundo denunciou: Reportagem da Folha sobre gripe suína é totalmente furada; uma irresponsabilidade.

A matéria da Folha de S. Paulo foi publicada no dia 19 de julho, domingo, com esta manchete na capa:  Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses. Internamente, no caderno Cotidiano, o título  Gripe pode afetar até 67 milhões de brasileiros em oito semanas e o primeiro parágrafo da reportagem, mais atemorizadores, previam uma catástrofe muito pior:

A pandemia de gripe provocada pela nova variante do vírus A H1N1 poderá atingir entre 35 milhões e 67 milhões de brasileiros ao longo das próximas cinco a oito semanas. De 3 milhões a 16 milhões desenvolverão algum tipo de complicação a exigir tratamento médico e entre 205 mil e 4,4 milhões precisarão ser hospitalizados.

Na ocasião, o médico epidemiologista Eduardo Hage Carmo, diretor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde, alertou: “Os parâmetros utilizados pela Folha de S. Paulo são totalmente furados. Não têm base epidemiológica, estatística, científica. Foi um chute a quilômetros de distância do alvo. Uma irresponsabilidade. Ao final desta fase da pandemia os números não serão os da reportagem da Folha. Serão bem menores”.

Hoje, 19 de setembro, faz dois meses (ou nove semanas) que a reportagem da Folha foi publicada. A realidade provou que o doutor Eduardo Hage, do Ministério da Saúde, estava absolutamente certo e a Folha completamente errada.

Continue lendo aqui