Falsos dossiês

Um dos golpes mais baixos do atual jornalismo brasileiro é a publicação de matérias com “dossiê”, “documento”, “grampo” ou qualque outra “prova” cuja validade não pode ser comprovada. É verdade que existe o “sigilo da fonte”, pois é preciso preservar os nomes de algumas pessoas, quando o assunto é delicado.

Mas o fato é que em nome desse “sigilo”, o repórter não se dá ao trabalho de investigar a informação que recebe. Se na mão dele cai um “dossiê”, ele vai logo publicando sem se perguntar se o material é legal ou ilegal, sem tentar saber que outras provas mais podem ser usadas para comprovar aquilo que o dossiê está “denunciando”, e sem dar ao leitor as outras informações necessárias ao contexto do que se está publicando.

Esse terreno é fértil para que o jornalista seja um franco atirador – isto é – publique o que lhe der na telha, nem que seja uma mentirinha, uma distorçãozinha, para atacar a reputação de seus desafetos, os únicos bois que têm nome nessa história toda. Afinal, criar uma prova sem que para isso seja necessário apresentar elementos que a sustentem é a coisa mais fácil do mundo. E o pior: aqui no Brasil não há instrumento forte o bastante para inibir a publicação dessas mentiras deslavadas, apelidadas de “dossiês”. Está na hora de perguntarmos qual é a liberdade de imprensa que queremos, até aonde vai o direito de sigilo da fonte, qual é o equilíbrio que queremos de nossa imprensa. Do jeito que as matérias estão sendo produzidas, o jornalismo está se tornando palco para crimes e criminosos.

Fica aqui um apelo para que todos possam cobrar instrumentos de controle de qualidade dentro do jornalismo. E que a cobrança por qualidade não seja taxada de “censura”. Quer publicar dossiê? Publica. Mas vai ter que responder criminalmente se o material se comprovar falso.

Em tempo: no Brasil existem leis que punem injúria, difamação, calúnia e entre outros crimes dessa natureza. Mas são leis frágeis, de aplicação demorada, e ainda assim não cobrem as práticas cada vez mais comuns na imprensa.

Vejam a seguir mais uma denúncia do jornalista Luis Nassif.

Mais um dossiê falso
Luis Nassif
A lógica é a mesma que descrevo na série de Veja (clique aqui), especialmente no capítulo “O Lobista de Dantas”.
Primeiro, o lobista passa o dossiê para Diogo Mainardi.

Ele escreve, Veja garante o espaço. Não é uma ou duas vezes, é mais que isso, é sistemático.
Continue a leitura: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/09/24/mais-um-dossie-falso/

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Uma resposta para “Falsos dossiês

  1. Olá Amanda. Foi a partir do Blog do Nassif, que vim parar aqui. Lá sou frequentador assíduo. Acho saudável esta “espécie de replicação” neste seu blog contra o mau jornalismo praticado pela grande mídia. Vou dar sempre uma passadinha aqui, pois considero NESCESSÁRIO uma verdadeira cruzada contra este tipo de coisa. Independentemente das preferências politicos partidárias de cada um.

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