Acertamos porém erramos

Segue um artigo do jornalista Luis Nassif que é interessante em dois aspectos: primeiro, ele aponta um erro até comum no jornalismo: a manchete não reflete o que a apuração da matéria dá a entender. Segundo, vale notar como a imprensa reage quando um erro lhe é educadamente apontado.

Em tempo: se a repórter se dispusesse a assumir o equívoco, este blog nem publicaria essa nota. Afinal, erros acontecem com qualquer pessoa e em qualquer profissão – alguns com conseqüências mais sérias, outros nem tanto… Esse blog quer abordar as mentiras, inconsistências e falhas intencionais da imprensa e que não são devidamente assumidas por seus autores.

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Acertamos porém erramosUm Painel do Leitor curioso da Folha.
Luís Nassif
Dias atrás o jornal publicou matéria dizendo que os bancos públicos reduziram os juros mas aumentaram as tarifas. Aqui mesmo leitores questionaram com base nos dados da própria reportagem. O jornal dizia que o crescimento do faturamento com tarifas nos públicos tinha sido maior do que nos privados; mas uma tabela comparativa demonstrava que o valor da tarifa continuava menor dos bancos públicos. Logo, o aumento da receita com tarifas não decorria do aumento das tarifas. Como explicar essa discrepância?

Ai o Banco do Brasil manda uma carta apontando o erro. Diz que manteve intocados os valores das tarifas e que a matéria esqueceu de levar em conta a incorporação da Nossa Caixa no balanço do banco. Sem considerar a incorporação, o crescimento da receita com serviços teria sido de 13,93% (compatível com os demais bancos) e não de 27,23%, conforme a matéria informou. Disse também que aumentou o volume de crédito e de clientes – o que se reflete do valor absoluto arrecadado com tarifas, sem que signifique aumento delas.

O jornal rebate, dizendo que que a matéria não desconsiderou a incorporação da Nossa Caixa, que apresentou os dados consolidados. Mas é justamente aí que reside o erro. Comparou BB + Nossa Caixa com BB apenas. Com isso inflou o resultado e garantiu a manchete.

O curioso é que a explicação é dada em um tom que ao leigo fica parecendo que se está rebatendo o argumento do BB. Se não foi cometido nenhum erro apontado, por que razão a disparidade de números? Ou seja, ERRAMOS e não admitimos.

Do Painel do Leitor da Folha
Banco do Brasil
Com referência à reportagem “Banco público compensa juro baixo com tarifa alta” (Dinheiro, 13/9), esclarecemos que a matéria não considerou que os números do balanço do Banco do Brasil do 1º semestre de 2009 já refletiam a consolidação contábil do banco Nossa Caixa, o que propiciou a incorporação ao resultado de rendas de tarifas bancárias de mais de R$ 162 milhões (48,2% do incremento observado no comparativo de 12 meses).

Os pacotes de serviços, que representam 66% das rendas de tarifas do BB, não sofreram qualquer tipo de reajuste desde a entrada em vigor da resolução CMN 3.518, de 30/4/08. Todos os pacotes, sem exceção, permanecem com o mesmo preço praticado em maio de 2008.

Diferentemente do que consta na matéria, o aumento das rendas de tarifas bancárias no BB não foi de 27,23%, e sim de 13,93%, compatível com o verificado na concorrência. Esse comportamento, registrado no período de junho/2008 a junho/2009, decorre do crescimento de três fatores: da base de clientes, do volume de operações de crédito e das demais transações bancárias.

No que se refere ao crédito, o BB ampliou sua participação de mercado de 16,9% para 18,7%, com expansão superior a 32% em 12 meses. Outro fator é o crescimento da base de clientes do BB de junho/08 a junho/09, quando foram incorporados 2,7 milhões de novos clientes (expansão de 9,38%). Considerando todas as receitas de prestação de serviço do BB, o crescimento verificado no primeiro semestre de 2009 em comparação com o mesmo período de 2008 foi de 9,6%. Sem as receitas da Nossa Caixa, esse desempenho ficou em 4,5%.

O resultado financeiro do BB no primeiro semestre de 2009 decorre fundamentalmente da estratégia bem-sucedida de ampliação das operações de crédito e do aumento das receitas proveniente do crescimento e da fidelização da base de clientes, o que potencializou a geração de novos negócios, como a expansão da base de cartões e faturamento, seguridade e previdência.”

CARLOS ALBERTO BARRETTO DE CARVALHO , assessor de imprensa do Banco do Brasil (Brasília, DF)

Resposta da repórter Sheila D’Amorim – A Folha não desconsiderou a Nossa Caixa. Os dados do balanço do BB estão consolidados com os do antigo banco paulista. Os números da Nossa Caixa constam no aumento da base de clientes assim como nas receitas geradas do BB, da mesma forma que, na comparação com a concorrência, foram consideradas as fusões Itaú/Unibanco e Santander/Real. A Folha não tratou da receita com prestação de serviços, mas das tarifas classificadas como prioritárias pelo Banco Central -aquelas que incidem sobre serviços básicos a pessoas físicas e jurídicas. Os argumentos do banco, quanto ao reforço da base de clientes e da fidelização, foram contemplados no texto.

Leia o artigo original no site: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/09/15/acertamos-porem-erramos/#more-33297

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