A Gripe da Folha

Como diz a Jornalista Conceição Lemes: “Fazer política sobre saúde pode matar”. No entanto, foi isso que o jornal Folha de São Paulo fez na sua edição do dia 19 de Julho de 2009. A chamada de capa para a reportagem neste episódio foi: “Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses”. Considerando que a maioria das pessoas só têm acesso às capas de jornais que ficam expostas nas bancas – uma vez que a tiragem dos jornais impressos cai a cada dia – esta manchete tem potencial alarmista.

gripefolha

Mesmo alertado por uma das fontes citadas na matéria, o “capista” responsável pela manchete decidiu ignorar que o modelo matemático aplicado não serviria para o vírus H1N1, já que foi feito com base em dados de pandemias anteriores, e colocou na chamada “deve” no lugar de “pode” (ainda que esta palavra também não corresponda totalmente aos fatos).

Clique no link e tenha acesso à entrevista concedida pelo epidemiologista Dr. Eduardo Carmo Hage (fonte citada pela reportagem) à Jornalista Conceição Lemes no Vi o Mundo: http://www.viomundo.com.br/denuncias/reportagem-da-folha-sobre-gripe-suina-e-totalmente-furada-uma-irresponsabilidade/

Continuação (inserido no dia 21/09/09)

Folha e gripe suína: é o segundo crime contra a saúde pública em 19 meses

por Conceição Lemes, no Vi o Mundo

Em 22 de julho, o Viomundo denunciou: Reportagem da Folha sobre gripe suína é totalmente furada; uma irresponsabilidade.

A matéria da Folha de S. Paulo foi publicada no dia 19 de julho, domingo, com esta manchete na capa:  Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses. Internamente, no caderno Cotidiano, o título  Gripe pode afetar até 67 milhões de brasileiros em oito semanas e o primeiro parágrafo da reportagem, mais atemorizadores, previam uma catástrofe muito pior:

A pandemia de gripe provocada pela nova variante do vírus A H1N1 poderá atingir entre 35 milhões e 67 milhões de brasileiros ao longo das próximas cinco a oito semanas. De 3 milhões a 16 milhões desenvolverão algum tipo de complicação a exigir tratamento médico e entre 205 mil e 4,4 milhões precisarão ser hospitalizados.

Na ocasião, o médico epidemiologista Eduardo Hage Carmo, diretor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde, alertou: “Os parâmetros utilizados pela Folha de S. Paulo são totalmente furados. Não têm base epidemiológica, estatística, científica. Foi um chute a quilômetros de distância do alvo. Uma irresponsabilidade. Ao final desta fase da pandemia os números não serão os da reportagem da Folha. Serão bem menores”.

Hoje, 19 de setembro, faz dois meses (ou nove semanas) que a reportagem da Folha foi publicada. A realidade provou que o doutor Eduardo Hage, do Ministério da Saúde, estava absolutamente certo e a Folha completamente errada.

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